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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Áreas degradadas na Amazônia serão prioridade

Associação de pastagens com reflorestamento comercial aumentam a renda do produtor e permite a recuperação de área degradada/ Foto: Sílivo Ávila (MAA) Projeto TerraClass classificou as áreas desmatadas que podem ser usadas para produção




Os resultados do projeto TerraClass, que mapeou e classificou a cobertura das áreas desflorestadas da Amazônia, vão ajudar na elaboração de projetos mais eficazes para a recuperação de áreas degradadas. O mapeamento, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cobriu os 18% do bioma Amazônico que já estão desmatados, gerando uma classificação dos diversos usos e situações, em cada um dos nove estados da região. As análises foram feitas a partir de informações resultantes do levantamento detalhado do desflorestamento ocorrido até 2008, obtidas pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), do Inpe.

O trabalho identificou, por meio de imagens de satélites, as áreas desmatadas e classificou as coberturas presentes na região. Das áreas identificadas, 62% são pastagens; 21%, vegetação secundária; 3,4%, ocupações; 4,9%, agricultura; 0,5%, área urbana; 6,3%, não foram identificados e os restantes 2% dividem-se entre desflorestamento, mineração e outros. O trabalho vai permitir um melhor aproveitamento do potencial produtivo dessas áreas e reduzir a pressão sobre a floresta por parte de agentes econômicos.

De toda a área mapeada, menos de 1% está em um nível de extrema degradação, o que provou a resistência do solo e sua capacidade de regeneração. Com base nos dados levantados, a expectativa da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo é utilizar recursos do Programa ABC no bioma amazônico. O programa oferece crédito em condições favorecidas para a adoção de práticas agrícolas e pecuárias sustentáveis.

Tecnologia muda padrão histórico

A expansão da agricultura no Brasil, historicamente, gera um rastro de área degradada, deixada para trás quando o solo deixa de ser rentável. Uma das vertentes do ABC é transformar essas terras empobrecidas em áreas produtivas para a produção de alimentos, fibras, carne e madeira. A pesquisa brasileira tem a tecnologia para tornar essa meta possível e rentável, porém, precisa ser mais difundida. A meta do ABC é recuperar 15 milhões de hectares e reduzir as emissões entre 83 e 104 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.

Na região amazônica, bem como outros biomas, pesquisadores brasileiros desenvolveram métodos de integração entre a lavoura, a pecuária e a floresta. O sistema tem vantagens em relação ao cultivo tradicional e busca alternar pastagem com agricultura e floresta em uma mesma área. Isso recupera o solo, incrementa a renda e gera empregos. A meta é aumentar a utilização do sistema em quatro milhões de hectares e evitar que entre 18 e 22 milhões de toneladas de CO2 equivalentes sejam liberadas.

Além disso, o plantio de eucalipto e de pinus proporciona renda futura para o produtor e reduz a emissão de carbono por meio de captura e emissão de oxigênio pelas árvores. O governo espera aumentar a área de seis milhões de hectares para nove milhões.


Fixação biológica do nitrogênio

O nitrogênio, nutriente essencial para a produtividade da agricultura, é a causa da maior parte das emissões do setor globalmente. De acordo com os dados mais recentes sobre as emissões de gases de efeito estufa (GEE), a atividade agropecuária contribuiu com 13,8% do total emitido em 2005 (WRI, 2009).

O óxido nitroso (N2O) responde por cerca de 45% das emissões do setor e a intensidade do N2O é 298 vezes mais forte que a do CO2 no agravamento do efeito estufa. Por isso, a fixação biológica de nitrogênio é uma das prioridades do programa ABC, que prevê aplicar a técnica de captar o nitrogênio do ar com bactérias em 5,5 milhões de hectares e reduzir a emissão de 10 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.

Metano – O tratamento de resíduos animais, previsto no Programa ABC, visa aproveitar os dejetos de animais para a produção de energia (gás) e de composto orgânico. O objetivo é tratar 4,4 milhões de metros cúbicos de resíduos da suinocultura e outras atividades, deixando de lançar 6,9 milhões de toneladas de CO2 equivalentes na atmosfera. FONTES: Secom / http://www.formasemeios.blogs.sapo.pt/

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