
A Bolívia não tem hoje produção de gás o bastante para suprir seu mercado interno, reduzindo assim, o envio do produto para Argentina para não deixar de cumprir um atual contrato com o Brasil, informaram fontes do governo do presidente Evo Morales, Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos e o ex-ministro e consultor de energia Maurício Medina Celi. “O cobertor de gás boliviano está curto para os três países”, disse Medina Celi à BBC Brasil, por telefone, a partir de La Paz.
A demanda externa daquele país não foi aumentada como fora previsto dois ou três anos passados, que seria em 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Mas hoje não existe perspectiva e nem clima de investimentos para alcançar esta meta”, afirmou. No ano passado, segundo dados oficiais preliminares citados por Medina Celi, a Bolívia produziu 36 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desse total, 25,9 milhões foram – e são – destinados ao mercado brasileiro, 5,6 milhões à Argentina e 4,6 milhões ao mercado boliviano.
Contrato flexível
O contrato firmado com a Argentina é mais bem mais “flexível”, não vem sendo respeitado, segundo fontes do governo boliviano, da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos e Medina Celi. Por exemplo, em maio deste ano, a Argentina recebeu 6,88 milhões de metros cúbicos de gás boliviano por dia. Três meses depois, em agosto, esse volume caiu quase à metade, chegando a 4,82 milhões de metros cúbicos diários. Em 2004, segundo dados oficiais preliminares citados pelo consultor, a Bolívia registrou US$ 442 milhões de investimentos na exploração de gás. Em 2005, o volume foi de cerca de US$ 200 milhões – semelhante ao registrado no ano passado.
[Foto: www.bbcbrasil.com.br]
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