
Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido, disse que deixará o cargo em 27 de junho.
Em um discurso no seu reduto eleitoral, no condado de Sedgefield, onde foi recebido por partidários em uma atmosfera festiva, Blair falou sobre os dez anos em que esteve no poder: "Fiz o que achava que era certo para o país", de acordo com a BBC.
O processo sucessório de Blair deverá durar entre seis e sete semanas, com a eleição de um novo líder trabalhista e, automaticamente, primeiro-ministro. Apesar desse ritual, a escolha do atual ministro das finanças, o chanceler Gordon Brown, para chegar o governo britânico, é dada como certa. "Tenho sido primeiro-ministro deste país por pouco mais de 10 anos", discursou ele. "Neste cargo, no mundo de hoje, acho que é tempo suficiente para mim, mas mais especialmente para o país." Tony Blair já havia comunicado sua decisão numa reunião.
Perfil
Aos 54 anos, e reeleito em duas ocasiões, Blair vai deixar um legado polêmico. Para seus simpatizantes, o mais importante é que ele revolucionou a política britânica ao modernizar o Partido Trabalhista, criando o "New Labour´. Ele fez com que a agremiação abandonasse seu alinhamento com as idéias e práticas ideológicas da esquerda antiga e o alinhou mais ao centro da esfera política, ofuscando seu principal opositor, o Partido Conservador. Políticas pró-mercado foram incentivadas, inclusive com mudanças nos serviços públicos. O desempenho da economia britânica também foi um dos pontos altos de seu governo, registrando taxas de crescimento do PIB e de emprego superiores aos das principais nações da União Européia, como a Alemanha e França. Vários integrantes do próprio Partido Trabalhista se rebelaram com seu líder ao longo dos últimos três anos, exigindo sua renúncia. Além disso, Blair se viu nos últimos tempos diante de crescentes críticas pelo desempenho dos serviços públicos. Foi também prejudicado pela suspeita de que assessores próximos se envolveram num escândalo de venda de títulos honoríficos em troca de doações ao Partido Trabalhista. Diante do fracasso no Iraque e do desgaste de seu governo, o primeiro-ministro foi forçado a anunciar no ano passado que não iria liderar os trabalhistas na próxima eleição parlamentar, prevista para 2008. As eleições locais realizadas na semana passada confirmaram a vantagem conservadora. Se Brown não conseguir reverter essa tendência, seu reinado poderá durar apenas alguns meses.[AgênciaFM com Agências internacionais]
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