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terça-feira, 2 de maio de 2006

Bolívia nacionaliza hidrocarbonetos e toma campos

LA PAZ/TARIJA (AgênciaFM), 1º de maio - Evo Morales, presidente boliviano assinou nesta segunda-feira um decreto para nacionalizar o setor de hidrocarbonetos do país, obrigando as petrolíferas estrangeiras a devolver ao Estado a propriedade de seu petróleo e gás natural, em uma tentativa do presidente Evo Morales de controlar a maior riqueza do país mais pobre da América do Sul. Em um discurso no campo de gás natural na região de Tarija, ao sul de La Paz, Morales deu um ultimato de 180 dias para que as petrolíferas estrangeiras fechem novos acordos de operação nas gigantescas reservas de gás natural ou abandonem o país. "Nacionalizamos os recursos naturais de hidrocarbonetos do país; o Estado recupera a propriedade, a posse e o controle total e absoluto destes recursos", disse o presidente indígena ao ler o decreto de nacionalização para um grupo de trabalhadores.

A nacionalização dos hidrocarbonetos foi a principal promessa eleitoral que permitiu a Morales receber em dezembro passado a presidência da Bolívia, com a maior parte de sua população na pobreza apesar de ter a segunda maior reserva de gás natural na América do Sul, atrás apenas da Venezuela. A medida implica que o Estado tome a propriedade dos recursos de hidrocarbonetos e faça sua comercialização, deixando às petrolíferas estrangeiras o papel de meras operadoras.A petrolífera estatal YPFB pagará às petrolíferas estrangeiras por seus serviços com uma porcentagem do valor da produção, de cerca de 50%. No entanto, nos maiores campos de gás natural do país, as empresas apenas receberão 18%.Nos novos contratos de exploração, a Bolívia deverá negociar com as empresas estrangeiras os incentivos para que continuem a investir em um país que necessita de milhares de milhões de dólares para desenvolver seus campos de gás natural.

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